Dr. Antônio Aleixo

1) A pílula pode causar infertilidade se for tomada por muito tempo?

Não. O que acontece é que algumas mulheres ou seus parceiros já apresentavam algum problema anterior ao uso da pílula e não sabiam. Quando tentam engravidar é que descobrem a infertilidade e erradamente colocam a “culpa” na pílula. Exemplos: obstrução das trompas, deficiência de espermatozoides no parceiro, falta de ovulação, etc.
Outro ponto importante é que a idade média para a primeira gravidez está aumentando com o tempo. Hoje é muito comum a mulher ter a primeira gravidez acima dos 35 anos, quando a fertilidade já diminuiu cerca de 30%, contra 10% na faixa dos 20 anos.
2) O sangramento fora de época significa que a pílula está “fraca” para evitar a gravidez?

Não existe esta relação. A pílula pode estar fraca para controlar o ciclo menstrual, mas sua eficácia permanece a mesma. No entanto, cuidado! Algumas vezes estes escapes de sangramento podem significar esquecimento de tomada de alguma pílula, e aí, sim, podem ocorrer falhas.

3) Pode-se tomar a pílula continuamente, sem interromper?

Perfeitamente. No entanto, deve-se consultar o ginecologista para orientações gerais e a escolha da pílula mais adequada para este modo de uso.

4) Mulheres acima de 40 anos podem tomar pílulas?

Sim, desde que não tenham contraindicações. É preciso lembrar que nesta faixa etária são mais comuns problemas de saúde, tais como: pressão alta, obesidade, varizes, colesterol alto, diabetes; condições que podem impedir o uso das pílulas.

5) É preciso “descansar” de tomar a pílula de vez em quando?

Se a usuária da pílula estiver fazendo controles médicos periódicos e não tiver nenhum problema, pode continuar a toma-la sem nenhum problema.

6) A pílula pode ser tomada enquanto a mulher estiver amamentando?

Atenção: pode tomar a pílula com progesterona, mas não a pílula mais comum, combinada, com dois hormônios. Esta somente após seis meses do parto.

Dr. Antônio Aleixo Neto – Médico ginecologista

Primeira menstruação

A primeira menstruação costuma surgir entre 12 e 14 anos. Se ela ocorrer muito cedo (9 anos, p.ex.) ou muito tarde (mais de 16 anos), é preciso avaliar se está tudo bem com o sistema hormonal.

Irregularidades menstruais

O ciclo menstrual dura em média 28 dias, mas pode variar. Os primeiros ciclos podem ser irregulares durante algum tempo.  No entanto, a adolescente deve ser avaliada se, passados dois anos após a primeira menstruação os ciclos estiverem muito irregulares ou durarem menos de 21 ou mais de 45 dias, de uma maneira frequente.

Cólicas menstruais

As cólicas são muito comuns em jovens, no entanto, se forem muito intensas (afetando as atividades diárias), ou com piora progressiva, devem ser avaliadas pelo (a) ginecologista com o objetivo de alívio dos sintomas e afastar algumas patologias mais sérias.

Hemorragia menstrual

A hemorragia no período menstrual significa a troca de 1 a 2 absorventes no prazo de uma hora ou a duração do fluxo por mais de sete dias. São motivos importantes para uma consulta médica.

Acne e pelos

O aparecimento ou piora da acne ou o crescimento exagerado dos pelos podem ou não significar problemas mais sérios e exigem uma consulta ginecológica para uma avaliação.

Dr. Antônio Aleixo Neto

Que a nossa dieta ao longo da vida pode influenciar a nossa saúde não é novidade. No entanto, um artigo publicado em 2014 pelo prestigiado International Journal of Cancer, em que foram estudadas mais de 40 mil mulheres durante 13 anos revelou um dado preocupante: a relação da ingestão de carne vermelha na adolescência com o aparecimento do câncer de mama em mulheres antes da menopausa. O risco é de 43% maior! Por outro lado, a ingestão de feijão, legumes, verduras, nozes, carne de frango ou peixe e ovos diminui este risco. Uma simples substituição de uma porção diária de carne vermelha por alguns destes alimentos pode diminuir o risco em até 15%.

A importância destes achados deriva-se da incidência de câncer de mama no Brasil: mais de 50.000 novos casos são estimados este ano. É o câncer feminino mais frequente e quanto mais cedo se preocupar e prevenir é melhor, não é?

Muitas mulheres hoje em dia optam por tomar a pílula em uma maneira contínua, sem interrupções, seja por poucos dias (como no caso de uma viagem, por exemplo), ou seja, por tempo mais prolongado, de meses. Outras vezes é o médico que recomenda esse tipo de uso, como tratamento ou prevenção de algumas doenças, como no caso da endometriose, entre outras.

Portanto, viver sem menstruar é hoje um fato para muitas mulheres. No entanto, sempre devem procurar o ginecologista para saberem quais são as melhores opções. Existem pílulas mais e menos recomendáveis para esse fim. Deve-se avaliar o histórico da paciente, suas possíveis doenças e outros fatores.

pilula

Uma vez iniciado o regime contínuo existem fatos que as mulheres devem ter conhecimento:

1. O regime contínuo faz mal?
Basicamente não. Se não tiver contraindicações para o uso da pílula em regime cíclico, a mulher não as terá para o uso contínuo.

2. Por quanto tempo pode tomar?
Não há limites preestabelecidos, desde que se faça acompanhamento médico.

3. E se eu sangrar durante o uso da pílula?
Primeiramente, certifique-se que não está esquecendo-se de toma-la, mesmo que eventualmente. Mesmo que tome regularmente, sangramentos inesperados podem acontecer em algumas mulheres. Acalme-se por que isso não resulta em perda da eficácia da pílula. Se acontecer na primeira cartela, não interrompa. Se for a partir da segunda cartela, você poderá suspender o uso por 3 dias e voltar a tomar no quarto dia. Depois, continuar sem interrupções. Sempre avisar ao seu médico o que está acontecendo.

4. E se eu estiver sangrando só durante ou após a relação sexual?
Continue a tomar a pílula e marque uma consulta para avaliação do caso.

5. O uso prolongado pode levar à infertilidade?
O uso da pílula seja no regime cíclico ou no regime contínuo não afeta a fertilidade futura. Se a mulher já tiver algum fator desconhecido de infertilidade, este continuará e só se manifestará quando ela cessar a pílula para engravidar. Lembremos também que as mulheres devem atentar para a questão da idade, uma vez que a fertilidade vai decrescendo naturalmente com o tempo, principalmente após os 35 anos.

Pílula de emergência ou pílula do dia seguinte é um método que usa um hormônio similar à progesterona (levonorgestrel) em dose alta, para impedir uma gravidez. É um método de emergência, para ser usado apenas em condições especiais, exemplo:

  • Preservativo que arrebentou.
  • Ter ficado mais de dois-três dias sem tomar a pílula comum.
  • Em caso de violência sexual.
  • Relação sexual sem nenhuma proteção contraceptiva.

Qual pílula tomar?

Hoje em dia recomenda-se o uso da apresentação mais moderna, que tem apenas uma pílula com 1,5 mg de levonorgestrel. Existem várias no mercado e não são caras.

Quando?

O mais rapidamente possível, dentro de no máximo 72h (3 dias). A eficácia é tanto maior quanto mais cedo tomar. 95% nas primeiras 24h, caindo para 85% e 60%, no segundo e terceiro dias, respectivamente. Caso a menstruação atrase mais de cinco dias, deve-se fazer um teste de gravidez.

Como age?

Impedindo a fecundação ou retardando ou inibindo a ovulação. A pílula do dia seguinte não atua numa gravidez em andamento.

Tem efeitos colaterais?

Como todo medicamento, pode apresentar alguns efeitos. Os mais comuns são os enjoos e vômitos. Se a usuária vomitar até duas horas após a tomada, a pílula pode não ter sida absorvida, e, portanto, falhar. Deste modo, é recomendável tomar-se um medicamento para enjoos 1h antes de tomar a pílula de emergência. Outros efeitos: dor nas mamas, adiantamento ou atraso menstrual.

A pílula de emergência é legal?

O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou em janeiro de 2007 no Diário Oficial da União uma resolução estabelecendo normas éticas para o uso da contracepção de emergência, tornando-a legal como método alternativo para a prevenção da gravidez.

Podem-se tomar várias vezes num mesmo mês?

Não é aconselhável a administração repetida das pílulas de emergência no mesmo ciclo menstrual, para evitar-se uma sobrecarga hormonal. Após o uso da mesma, recomenda-se a utilização de um método contraceptivo como o preservativo em cada relação sexual, até a próxima menstruação. Neste intervalo, aproveite e procure um ginecologista para avaliação e orientação sobre outro método regular de anticoncepção.

Nas últimas décadas grandes transformações sociais ocorreram no Brasil e no Mundo, levando a uma mudança acentuada dos padrões de comportamento sexual, principalmente entre os adolescentes. O aconselhamento sexual das famílias e das escolas muitas vezes não acompanhou essas mudanças, ficando distanciado da realidade dos jovens. Resultado: apenas cerca de 1/3 dos jovens usaram algum método contraceptivo na primeira relação sexual, se expondo a uma gravidez indesejável ou a uma doença sexualmente transmissível, sendo que 80% iniciam a vida sexual antes dos 17 anos.

A falta de informações e conhecimento, a dificuldade de acesso aos métodos anticoncepcionais, o pensamento mágico de que “nada vai dar errado”, o medo de a família descobrir, levam os adolescentes a este descuido perigoso. No entanto, isso não precisaria ser assim.

É importante saber que, em geral, as adolescentes podem usar quase todos os métodos contraceptivos e deveriam ter acesso fácil a várias opções. A idade em si não constitui uma razão médica para negar qualquer método às adolescentes. Muitos dos critérios de contraindicação que se aplicam a mulheres adultas não se aplicam às jovens.  Em verdade, as adultas são muito mais sujeitas a impedimentos ao uso de vários contraceptivos do que as adolescentes, devido à maior frequência de diversas condições, tais como: alterações cardiovasculares, hipertensão, varizes acentuadas, presença de tumores, diabetes, etc.

Os aspectos sociais e de conduta devem ser considerações importantes na escolha dos métodos anticoncepcionais nas adolescentes. A maior exposição a contágio de doenças sexualmente transmissíveis é um fato importante nessa faixa etária e nos impõe a indicação da dupla proteção: preservativo + outro método. Também tem sido exaustivamente mostrado que as jovens usuárias de pílulas anticoncepcionais têm uma tendência maior de esquecimento ou de interrupção do uso das mesmas, muitas vezes por motivos pouco importantes. Isto pode recomendar a indicação de métodos que não requerem uma tomada diária, tipo os métodos injetáveis. A escolha do método também pode ser influenciada por padrões de atividade sexual esporádica ou a necessidade de ocultar a atividade sexual e o uso de métodos contraceptivos.

Enfim, a educação e orientação sexual adequada é um grande desafio que implica em enfatizar a participação da família, das escolas, do sistema de saúde, dos meios de comunicação; para que se possa ajudar as adolescentes a encontrar as melhores soluções para suas aspirações e desejos, e a tomar decisões maduras e consistentes.

Debutante: palavra mágica. Origina-se do francês début, que significa iniciar. É a idade (15 anos) em que a adolescente é apresentada à sociedade, iniciando uma nova etapa de sua vida. É um momento mágico para a menina-mulher que geralmente é homenageada com festas lindas e maravilhosas, onde ela brilhará e será objeto da atenção e carinho de todos os parentes e amigos.

Já adolescente vem do latim adolescens, que significa jovem. Segundo a Organização Mundial de Saúde, é a idade entre 10 e 19 anos. Não é coincidência que a festa de debutante esteja justamente no meio deste período da juventude. Portanto, a adolescência é um período intermediário entre a infância e a idade adulta. É uma fase de transição. No Brasil, ¼ da população está incluída nesta faixa etária.

Época de enormes transformações no corpo, na fisiologia, na mente e na participação social, a adolescente é motivo de muitas alegrias para as famílias, mas também, de muitas preocupações. Ou seja, infelizmente, nem tudo são festas.

O objetivo da nossa presença aqui, neste portal maravilhoso, é de poder orientar, aconselhar e instruir as adolescentes sobre aspectos ligados à sexualidade, contracepção, doenças sexualmente transmissíveis, vacinação e outros aspectos úteis, ligados à promoção da saúde deste grupo etário tão importante para o futuro do nosso país.

Saudações,

Dr. Antônio Aleixo Neto

Estreando a coluna de saúde para o público teen, o médico ginecologista e obstetra Dr. Antônio Aleixo Neto. Ele irá dar dicas e responder as questões que mais afligem a saúde das meninas de uma forma descontraída e sem preconceitos. Ele irá escrever quinzenalmente com exclusividade para o portal Debutantes de Minas e espera ajudar as adolescentes que muitas vezes passam por uma fase de transição conturbada e de autoafirmação para vida adulta sem as orientações de saúde adequadas.

Saiba mais sobre o Dr. Aleixo
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Dr. Antônio Aleixo Neto é médico formado pela UFMG, onde também cursou residência em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas. Mestrado em Ginecologia e Obstetrícia pela UFMG e Mestrado em Saúde Pública pela Universidade Harvard nos Estados Unidos. Foi Professor Adjunto de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da UFMG e é membro titular da Sociedade Mineira de Ginecologia e Obstetrícia, da Federação Brasileira de Ginecologistas e Obstetras, da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana e da Sociedade Brasileira de Videolaparoscopia. Também é consultor do Sistema de Telessaúde da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, Diretor da Empresa Telediu, Produtos Médicos e de Saúde e editor do Blog Ginecenter Blogspot.

Consultório
Rua Aimorés, 462/314 – Belo Horizonte/MG.
Tel.: (31) 3226-4914

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