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Dr. Antônio Aleixo Neto

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Médico Ginecologista e Obstetra formado pela UFMG e Mestre em Harvard.

Que a nossa dieta ao longo da vida pode influenciar a nossa saúde não é novidade. No entanto, um artigo publicado em 2014 pelo prestigiado International Journal of Cancer, em que foram estudadas mais de 40 mil mulheres durante 13 anos revelou um dado preocupante: a relação da ingestão de carne vermelha na adolescência com o aparecimento do câncer de mama em mulheres antes da menopausa. O risco é de 43% maior! Por outro lado, a ingestão de feijão, legumes, verduras, nozes, carne de frango ou peixe e ovos diminui este risco. Uma simples substituição de uma porção diária de carne vermelha por alguns destes alimentos pode diminuir o risco em até 15%.

A importância destes achados deriva-se da incidência de câncer de mama no Brasil: mais de 50.000 novos casos são estimados este ano. É o câncer feminino mais frequente e quanto mais cedo se preocupar e prevenir é melhor, não é?

Muitas mulheres hoje em dia optam por tomar a pílula em uma maneira contínua, sem interrupções, seja por poucos dias (como no caso de uma viagem, por exemplo), ou seja, por tempo mais prolongado, de meses. Outras vezes é o médico que recomenda esse tipo de uso, como tratamento ou prevenção de algumas doenças, como no caso da endometriose, entre outras.

Portanto, viver sem menstruar é hoje um fato para muitas mulheres. No entanto, sempre devem procurar o ginecologista para saberem quais são as melhores opções. Existem pílulas mais e menos recomendáveis para esse fim. Deve-se avaliar o histórico da paciente, suas possíveis doenças e outros fatores.

pilula

Uma vez iniciado o regime contínuo existem fatos que as mulheres devem ter conhecimento:

1. O regime contínuo faz mal?
Basicamente não. Se não tiver contraindicações para o uso da pílula em regime cíclico, a mulher não as terá para o uso contínuo.

2. Por quanto tempo pode tomar?
Não há limites preestabelecidos, desde que se faça acompanhamento médico.

3. E se eu sangrar durante o uso da pílula?
Primeiramente, certifique-se que não está esquecendo-se de toma-la, mesmo que eventualmente. Mesmo que tome regularmente, sangramentos inesperados podem acontecer em algumas mulheres. Acalme-se por que isso não resulta em perda da eficácia da pílula. Se acontecer na primeira cartela, não interrompa. Se for a partir da segunda cartela, você poderá suspender o uso por 3 dias e voltar a tomar no quarto dia. Depois, continuar sem interrupções. Sempre avisar ao seu médico o que está acontecendo.

4. E se eu estiver sangrando só durante ou após a relação sexual?
Continue a tomar a pílula e marque uma consulta para avaliação do caso.

5. O uso prolongado pode levar à infertilidade?
O uso da pílula seja no regime cíclico ou no regime contínuo não afeta a fertilidade futura. Se a mulher já tiver algum fator desconhecido de infertilidade, este continuará e só se manifestará quando ela cessar a pílula para engravidar. Lembremos também que as mulheres devem atentar para a questão da idade, uma vez que a fertilidade vai decrescendo naturalmente com o tempo, principalmente após os 35 anos.

Pílula de emergência ou pílula do dia seguinte é um método que usa um hormônio similar à progesterona (levonorgestrel) em dose alta, para impedir uma gravidez. É um método de emergência, para ser usado apenas em condições especiais, exemplo:

  • Preservativo que arrebentou.
  • Ter ficado mais de dois-três dias sem tomar a pílula comum.
  • Em caso de violência sexual.
  • Relação sexual sem nenhuma proteção contraceptiva.

Qual pílula tomar?

Hoje em dia recomenda-se o uso da apresentação mais moderna, que tem apenas uma pílula com 1,5 mg de levonorgestrel. Existem várias no mercado e não são caras.

Quando?

O mais rapidamente possível, dentro de no máximo 72h (3 dias). A eficácia é tanto maior quanto mais cedo tomar. 95% nas primeiras 24h, caindo para 85% e 60%, no segundo e terceiro dias, respectivamente. Caso a menstruação atrase mais de cinco dias, deve-se fazer um teste de gravidez.

Como age?

Impedindo a fecundação ou retardando ou inibindo a ovulação. A pílula do dia seguinte não atua numa gravidez em andamento.

Tem efeitos colaterais?

Como todo medicamento, pode apresentar alguns efeitos. Os mais comuns são os enjoos e vômitos. Se a usuária vomitar até duas horas após a tomada, a pílula pode não ter sida absorvida, e, portanto, falhar. Deste modo, é recomendável tomar-se um medicamento para enjoos 1h antes de tomar a pílula de emergência. Outros efeitos: dor nas mamas, adiantamento ou atraso menstrual.

A pílula de emergência é legal?

O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou em janeiro de 2007 no Diário Oficial da União uma resolução estabelecendo normas éticas para o uso da contracepção de emergência, tornando-a legal como método alternativo para a prevenção da gravidez.

Podem-se tomar várias vezes num mesmo mês?

Não é aconselhável a administração repetida das pílulas de emergência no mesmo ciclo menstrual, para evitar-se uma sobrecarga hormonal. Após o uso da mesma, recomenda-se a utilização de um método contraceptivo como o preservativo em cada relação sexual, até a próxima menstruação. Neste intervalo, aproveite e procure um ginecologista para avaliação e orientação sobre outro método regular de anticoncepção.

Nas últimas décadas grandes transformações sociais ocorreram no Brasil e no Mundo, levando a uma mudança acentuada dos padrões de comportamento sexual, principalmente entre os adolescentes. O aconselhamento sexual das famílias e das escolas muitas vezes não acompanhou essas mudanças, ficando distanciado da realidade dos jovens. Resultado: apenas cerca de 1/3 dos jovens usaram algum método contraceptivo na primeira relação sexual, se expondo a uma gravidez indesejável ou a uma doença sexualmente transmissível, sendo que 80% iniciam a vida sexual antes dos 17 anos.

A falta de informações e conhecimento, a dificuldade de acesso aos métodos anticoncepcionais, o pensamento mágico de que “nada vai dar errado”, o medo de a família descobrir, levam os adolescentes a este descuido perigoso. No entanto, isso não precisaria ser assim.

É importante saber que, em geral, as adolescentes podem usar quase todos os métodos contraceptivos e deveriam ter acesso fácil a várias opções. A idade em si não constitui uma razão médica para negar qualquer método às adolescentes. Muitos dos critérios de contraindicação que se aplicam a mulheres adultas não se aplicam às jovens.  Em verdade, as adultas são muito mais sujeitas a impedimentos ao uso de vários contraceptivos do que as adolescentes, devido à maior frequência de diversas condições, tais como: alterações cardiovasculares, hipertensão, varizes acentuadas, presença de tumores, diabetes, etc.

Os aspectos sociais e de conduta devem ser considerações importantes na escolha dos métodos anticoncepcionais nas adolescentes. A maior exposição a contágio de doenças sexualmente transmissíveis é um fato importante nessa faixa etária e nos impõe a indicação da dupla proteção: preservativo + outro método. Também tem sido exaustivamente mostrado que as jovens usuárias de pílulas anticoncepcionais têm uma tendência maior de esquecimento ou de interrupção do uso das mesmas, muitas vezes por motivos pouco importantes. Isto pode recomendar a indicação de métodos que não requerem uma tomada diária, tipo os métodos injetáveis. A escolha do método também pode ser influenciada por padrões de atividade sexual esporádica ou a necessidade de ocultar a atividade sexual e o uso de métodos contraceptivos.

Enfim, a educação e orientação sexual adequada é um grande desafio que implica em enfatizar a participação da família, das escolas, do sistema de saúde, dos meios de comunicação; para que se possa ajudar as adolescentes a encontrar as melhores soluções para suas aspirações e desejos, e a tomar decisões maduras e consistentes.

Debutante: palavra mágica. Origina-se do francês début, que significa iniciar. É a idade (15 anos) em que a adolescente é apresentada à sociedade, iniciando uma nova etapa de sua vida. É um momento mágico para a menina-mulher que geralmente é homenageada com festas lindas e maravilhosas, onde ela brilhará e será objeto da atenção e carinho de todos os parentes e amigos.

Já adolescente vem do latim adolescens, que significa jovem. Segundo a Organização Mundial de Saúde, é a idade entre 10 e 19 anos. Não é coincidência que a festa de debutante esteja justamente no meio deste período da juventude. Portanto, a adolescência é um período intermediário entre a infância e a idade adulta. É uma fase de transição. No Brasil, ¼ da população está incluída nesta faixa etária.

Época de enormes transformações no corpo, na fisiologia, na mente e na participação social, a adolescente é motivo de muitas alegrias para as famílias, mas também, de muitas preocupações. Ou seja, infelizmente, nem tudo são festas.

O objetivo da nossa presença aqui, neste portal maravilhoso, é de poder orientar, aconselhar e instruir as adolescentes sobre aspectos ligados à sexualidade, contracepção, doenças sexualmente transmissíveis, vacinação e outros aspectos úteis, ligados à promoção da saúde deste grupo etário tão importante para o futuro do nosso país.

Saudações,

Dr. Antônio Aleixo Neto

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